Quem nunca ouviu falar que misturar bebida alcoólica faz mal? Essa é uma dúvida comum para quem já experimentou uma ressaca forte após uma noite de diversão. A crença popular sugere que misturar diferentes tipos de bebida piora os efeitos do álcool, mas o que realmente há de verdade nisso?
Na verdade, o álcool, independentemente do tipo de bebida, tem um efeito cumulativo no organismo. Isso significa que, ao misturar cerveja, vinho e destilados, por exemplo, a quantidade de álcool ingerida aumenta significativamente. O problema não está na mistura em si, mas no volume total de álcool ingerido.
Misturar bebida alcoólica faz mal?
O mito de que misturar bebida alcoólica faz mal vem do fato de que, ao misturar, ingere-se uma grande quantidade de álcool. Portanto, o problema não é necessariamente a mistura, mas o volume total consumido. Caso seja ingerido apenas um gole de cada tipo de bebida, pode não haver, nem mesmo, embriaguez ou ressaca.
O processo de fabricação de cada tipo de bebida, como fermentados e destilados, é diferente, no entanto, o produto final é o mesmo: o álcool. Apesar de bebidas diferentes terem concentrações variadas de álcool, ao beber demais, fica mais difícil controlar a quantidade total ingerida.
Em média, o fígado metaboliza cerca de 10 a 12 gramas de álcool puro por hora, o que corresponde a uma dose padrão de bebida alcoólica. Quando excedemos essa capacidade, o álcool se acumula no sangue, aumentando os efeitos de embriaguez e as chances de ressaca severa.
O que seria uma dose padrão?
- Cerveja: 350 ml (aproximadamente 5% de álcool).
- Vinho: 150 ml (aproximadamente 12% de álcool).
- Destilados: 45 ml (aproximadamente 40% de álcool).
A mistura também pode impactar o estômago, causando irritação e aumentando o risco de náuseas.
Outro fator a se considerar é o efeito comportamental. Quando misturamos bebidas, tendemos a perder a percepção do quanto estamos consumindo. Alguém que começa a noite bebendo cerveja e depois passa para destilados pode acabar ingerindo mais álcool do que o planejado.
Essa combinação também aumenta o risco de comportamentos impulsivos e decisões arriscadas, uma vez que a embriaguez severa afeta o julgamento e a coordenação motora.
A ressaca é pior ao misturar bebidas?
Sim, misturar bebida alcoólica faz mal, não pela mistura em si, mas porque, com uma quantidade alta de bebidas alcoólicas, a ressaca pode ser intensificada. Isso ocorre porque diferentes bebidas possuem compostos e aditivos distintos que podem sobrecarregar o organismo. Bebidas escuras, como whisky e conhaque, contêm mais congêneres (substâncias não-alcoólicas produzidas durante a fermentação, como acetona, acetaldeído e taninos, que mudam as cores das bebidas e lhes dão sabores distintos), que contribuem para ressacas mais severas.
Misturar bebidas com altos níveis de congêneres com outras mais leves pode aumentar a carga tóxica no corpo, agravando os sintomas de dor de cabeça, desidratação e fadiga.
Como minimizar os efeitos da mistura de bebidas?
Se optar por misturar bebidas, há algumas estratégias que podem ajudar a minimizar os efeitos negativos:
- Beba com moderação: defina um limite de consumo e respeite-o.
- Hidrate-se: alterne o consumo de álcool com água para ajudar na metabolização.
- Alimente-se bem: evite beber de estômago vazio, pois o alimento retarda a absorção do álcool.
Conclusão
Embora não haja uma regra que impeça a prática, é evidente que a mistura de diferentes tipos de bebida pode intensificar os efeitos do álcool e aumentar o risco de ressacas mais fortes.
O segredo está no consumo consciente e na moderação. Conhecer os limites do seu corpo e evitar excessos é a melhor forma de aproveitar uma noite de diversão sem arrependimentos no dia seguinte.
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Livia Freitas (CRN/SP 3 82983) e Fernanda Furmankiewicz (CRN/SP 6042) – Nutrição e Curadoria da Boomi.